Abelardo e Heloísa - Romance e Tragédia na Idade Média

4.11.09


Pois é, ando mesmo inspirada para o amor... tanto que conto hoje uma das histórias de amor que mais me tocaram... mês passado em Paris, visitamos alguns locais que marcaram a vida desse casal fascinante.  Adoro passear por lugares sabendo o que aconteceu ali. De certa forma é uma maneira de vivenciar uma história, como voltar no tempo, ainda que na imaginação. Espero que curtam tanto quanto eu!

Abelardo e Heloísa são um dos mais célebres casais de todos os tempos, conhecidos pelo romance que mantiveram e também pela tragédia que os separou. Um amor medieval que se eternizou...

O romance teve início em Paris quando Abelardo, um renomado professor e filósofo, considerado um dos maiores pensadores do século 12, viu em Heloísa qualidades que não havia encontrado antes em nenhuma outra mulher. Ela era excepcional tanto em beleza quanto em inteligência e muito apreciava os debates filosóficos acalorados. Sobrinha do Cônego Fulberg, Heloísa era fluente em Latin, Grego e Hebreu e seu tio era obcecado com a idéia de prover à menina a melhor educação disponível na ocasião. Além do que, estava na flor da idade, com apenas 17 anos.

Enamorado, Abelardo sugere a Fulberg, que era grande admirador do professor e filósofo,  viver com eles e, assim, daria continuidade à educação de Heloísa sob a supervisão do tio. Como diz minha vó, quando se junta a estopa e a gasolina, vem o diabo e assopra... pois não tardou nada para que o romance florecesse e explodisse em paixão. Porém, naquela época, os mestres educadores deveriam ser castos e, além do que, Abelardo infringiu a mais básica lei da hospitalidade, desrespeitando sobremaneira a honra de seu anfitrião.


Quando o romance foi descoberto, o tio furioso expulsou Abelardo de sua casa e interferiu na carreira do professor. Abelardo e Heloísa, no entanto continuaram a se encontrar às escondidas e, inclusive, tiveram um filho que se chamou Astrolábio (!). A fim de aplacar a ira do tio, Abelardo propôs um casamento secreto que, após certa relutância, foi aceito e concretizado. Pouco tempo depois o casamento foi revelado e Heloísa foi influenciada por Abelardo a entrar para um convento. Ela não queria e seu tio, acreditando que Abelardo queria ver-se livre dela, mandou castrá-lo. Envergonhado, humilhado e impedido de prosseguir com sua carreira, Abelardo também ingressou na vida monástica. Ainda assim, apesar de não se verem, trocaram correspondência que, mais tarde, ficou conhecida como As Cartas De Amor de Heloísa. A mesma escrevia com tamanha paixão e utilizou-se das mesmas como única forma de vivenciar o seu tão grande amor, que fora perdido por conta das circunstâncias.



Curiosodades:

- A principal obra de Abelardo chama-se Dialética e foi a obra de lógica mais influente até o final do século XIII em Roma, onde foi usada como manual escolar, já que a lógica era ministrada como parte do curriculum, fornecendo aos estudantes os argumentos e armas para às disputas metafísicas e teológicas.

- De 1113 a 1118 Abelardo lecionou na escola catedral de Paris. A agitação doutrinal provocada por Abelardo, repercutiu-se, também, no modo de ensino que sofreu completa revolução. Romperam-se as formas de ensino da velha escola platônica, criando-se o embrião do que viria a ser o ensino universitário, inteiramente diferente do das escolas locais existentes.

- Heloísa e Abelardo nunca deixaram de se amar. Anos mais tarde Abelardo construiu uma escola-mosteiro perto de Heloísa. Viam-se diariamente, mas não se falavam, apenas trocavam cartas.

- Abelardo morreu em 1142, com 63 anos de idade. Heloísa mandou construir uma sepultura em sua homenagem. Em 1162 morre Heloísa e a seu pedido, foi sepultada ao lado de Abelardo.

- Em 1817 os restos mortais dos dois amantes foram levados para o cemitério do Padre Lachaise por ordem de Josephine Bonaparte. Dizem que quem está solteiro deve levar flores e colocá-las nas mãos de Heloísa, para que encontre seu verdadeiro amor.

(Túmulo de Abelardo e Heloísa)

- O filme Em Nome de Deus (Stealing Heaven) , lançado em 1988, conta a história dos dois amantes, do Diretor Clive Donner

- Quai aux fleurs, 9 – Ile de la Cite – Paris é o endereço onde moraram, na casa de Fulberg. Bem pertinho da Notre-Dame.


"É certo que quanto maior é a
causa da dor, maior se faz
a necessidade de para ela
encontrar consolo, e este
ninguém pode me dar, além de ti.
Tu és a causa de minha pena,
e só tu podes me proporcionar conforto.
Só tu tens o poder de me entristecer,
de me fazer feliz ou trazer consolo."

( Trecho de uma das Cartas de Heloísa)


Não é lindo esse romance que sobreviveu apesar de toda tristeza e separação? Um amor verdadeiro não se desfaz com o tempo nem com a distância. Fica assim, marcado na eternidade.


7 comentários:

Daniel Savio disse...

Mas todo amor verdadeiro tem as suas provas, as vezes pequenas, as vezes grandes, mas sempre as suas provas de que é real...

Fique com Deus, menina Claudia.
Um abraço.

Júnia L. disse...

"Fujo para longe de ti,
evitando-te como a um inimigo,
mas incessantemente
te procuro em meu pensamento.
Trago tua imagem em minha memória
e assim me traio e contradigo,
eu te odeio, eu te amo."
Carta de Abelardo a Heloísa.

"É certo que quanto maior é a
causa da dor, maior se faz
a necessidade de para ela
encontrar consolo, e este
ninguém pode me dar, além de ti.
Tu és a causa de minha pena,
e só tu podes me proporcionar conforto.
Só tu tens o poder de me entristecer,
de me fazer feliz ou trazer consolo."
Carta de Heloísa a Abelardo


Cláudia,

Quando estava na faculdade (ja faz tempo rs) estudei sobre esta historia na disciplina de historia medieval e assisti ao filme "EM NOME DE DEUS" que tenta narrar um pouco do que foi essa história linda de amor.

Adorei a Postagem!!!

bjo

Café com Bolo disse...

Caramba que estória...na Idade Média as coisas eram tão cruéis, aliás, são até hoje...se duvidar ainda castram em algum país por aí...mulheres, essas ainda são, acho que na Mauritânia, né?

Café com Bolo disse...

Desculpe, tô maluca!
Tava no telefone e mandei o comentário sem terminar de escrever!
É que tem selinho pra vc lá no meu blog...se não quiser, não faz mal, mas é só pra vc saber,tá?
bjs

Claudia Bins (Cacau) disse...

Daniel, é verdade... mas as provas de Abelardo e Heloísa foram grandes demais, não?

Júnia, eu adoraria estudar História Medieval, e depois conhecer os lugares todos, é claro :-)!

Glorinha querida, claro que aceito o selinho! Vou buscá-lo agora mesmo! Muito obrigada querida, pelo carinho!

Claudia

~*Rebeca e Jota Cê *~ disse...

Claudia,

Esse filme "Em nome de Deus" é maravilhoso. Faz anos que assisti e esse final de semana vou alugar novamente. Histórias de amor são eternizadas e o infinito está no meio de nós como testemunha.

Beijo bem grandão, menina linda.

Rebeca

-

"re" disse...

Um romance que desafia os limites de uma época em que Deus era o centro do universo e a igreja católica exercia forte domínio sobre as pessoas. Porém, o amor , colocou o homem em evidência, desafiando o modo de pensar , indo além do que se propunha em busca de um sentimento de liberdade.
Dois célebres amantes que fizeram de tudo
para estarem juntos.
Não sei se é porque era proibido na época, mas
o fato é que os dois precisavam, almejavam,
ansiavam desesperadamente por estarem juntos...
E quanto mais proibido se tornava o romance entre os dois, mais necessidade sentiam um do outro.
Talvez, se esse amor tivesse acontecido nos dias atuais, teriam-no vivido intensamente, e por completo....?
Ou então, talvez, teriam se divorciado...?

Obrigada por ficares lá no meu canto. Amei tua visita.
Un beso